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29 março 2026

Lições do Tempo
"Há um momento na vida em que o barulho do mundo começa a perder o sentido e a alma, num gesto de autopreservação, decide baixar o volume das urgências.
Tenho aprendido, nos últimos tempos, que a existência é, em sua forma mais pura, um diálogo íntimo e ininterrupto entre mim e Deus. No fim do dia, quando as luzes se apagam e as máscaras sociais são guardadas na gaveta, é essa conversa que permanece. O resto é cenário.
Nessa jornada, a vida tem sido uma professora austera, mas justa. Ela me arrancou a pretensão de domínio. Que ilusão tola a nossa, a de acharmos que temos o controle de qualquer coisa! Somos como barcos em mar aberto: podemos ajustar as velas, mas o vento e a maré pertencem ao Divino. Aceitar essa impotência não é desistir, é, finalmente, descansar.
Nesse processo de simplificação de tudo, a geometria do "menos" tem se tornado uma nova bússola. A vida tem me ensinado que o excesso é, muitas vezes, apenas um esconderijo para o vazio. O silêncio, esse mestre tantas vezes temido, fala muito mais do que as ruidosas conversas que nada dizem.
Aprendi também a olhar para as minhas renúncias com mais simpatia. Toda decisão é, por natureza, um pequeno luto. Ao escolher um caminho, abandonamos infinitas outras possibilidades, e entender que "está tudo bem ser assim" é o que nos liberta da paralisia do arrependimento. Viver é o exercício constante de escolher um destino e honrar a partida.
No meu caminho, olhei para o lado e percebi que a verdadeira amizade é um bem raro, um cristal lapidado pelo tempo e pela compreensão da minha imperfeição pelo outro. Fo também preciso aceitar que nem todos compreenderão o nosso dialeto interno, e que ser fiel às próprias verdades, mesmo quando elas nos isolam, é o único compromisso inegociável que devemos ter.
Surpreendi-me ao notar que, muitas vezes, o amor se revela mais límpido na saudade do que no cotidiano da presença.
Por fim, entendi que o sol, ao despontar, é um convite sagrado para a renovação.
E que a busca pela perfeição é um fardo desnecessário, pois o que realmente ilumina a caminhada é a coragem de ser, a cada novo passo, uma versão mais gentil de nós mesmos. " - Roze Cabral,  diretamente de São José dos Campos

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