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01 abril 2026

  Abril Marrom

"De 60% a 80% dos casos de cegueira no mundo são evitáveis ou tratáveis. Os dados são da Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), que ainda alertam que o problema segue crescente, impulsionado pelo envelhecimento da população e pelo aumento de doenças crônicas, como o diabetes.

Alerta importante: “O Brasil ainda é um dos locais com grande concentração de cegueira tratável. A catarata continua sendo a principal causa, e isso mostra que ainda temos pessoas perdendo a visão por algo que poderia ser resolvido” - oftalmologista Leon Grupenmacher, coordenador da oftalmologia do Eco Medical Center. 

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Catarata: a principal causa (reversível) de cegueira

Conforme o oftalmologista, a catarata é responsável por cerca de metade dos casos de cegueira no mundo. A doença está diretamente ligada ao envelhecimento e ocorre quando o cristalino do olho perde a transparência.

 

Na prática, o paciente começa a perceber sinais como visão embaçada ou “amarelada”, dificuldade para dirigir à noite, perda de nitidez das cores e sensação de “vidro fosco” nos olhos. “Com o tempo, isso começa a impactar tarefas simples do dia a dia, como assistir TV ou dirigir. Ou o paciente começa a tropeçar em coisas que não enxergou no caminho”, explica o médico.

 

Apesar disso, a catarata é curável. O tratamento é cirúrgico e devolve a visão ao paciente, permitindo que ele retome suas atividades normalmente. Uma cirurgia simples, rápida e indolor.

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Glaucoma: doença silenciosa e irreversível (mas controlável)

De acordo com a OPAS o glaucoma é a principal causa de cegueira irreversível no mundo, sendo responsável por cerca de 12% a 13% dos casos globais de perda total da visão. Estima-se que mais de 60 milhões de pessoas convivam com a doença no planeta.

 

No Brasil, dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) indicam que entre 1,5 milhão e 2 milhões de pessoas têm glaucoma. E o mais preocupante é que uma parcela significativa desses pacientes ainda não foi diagnosticada.

 

“O glaucoma não dá sintomas no início. A pressão do olho vai danificando o nervo óptico aos poucos. Quando o paciente percebe, já perdeu parte da visão. E essa perda é irreversível”, alerta Leon.

 

O especialista destaca que a doença costuma afetar primeiro a visão periférica, o que dificulta a percepção inicial. No trânsito, por exemplo, o motorista perde a capacidade de notar veículos na lateral e acaba sempre fechando outros motoristas durante mudanças de faixa.

 

Dentro de casa, passa a esbarrar em objetos laterais. No entanto, a leitura - essa visão mais frontal - continua normal, o que mascara o problema e o paciente tende a achar que os deslizes no trânsito e esbarrões em objetos não são nada demais.

 

“O glaucoma não tem cura, mas tem tratamento. Com colírios e acompanhamento, conseguimos preservar a visão, frear a doença. Por isso, é muito impactante ver pacientes perderem a visão por algo que poderia ser controlado.”

 

Retinopatia diabética: o impacto do diabetes na visão

Outra preocupação crescente é a retinopatia diabética, considerada uma das principais causas de cegueira em idade produtiva. Segundo a OPAS, uma parcela significativa das pessoas com diabetes desenvolverá algum grau da doença ao longo da vida. Estudos na América Latina indicam prevalência que pode chegar a mais de 30% entre diabéticos.

 

O problema é que, assim como o glaucoma, ela pode evoluir sem sintomas nas fases iniciais. Quando aparecem, os sinais incluem manchas escuras na visão, visão borrada e dificuldade para focar. A boa notícia é que, com controle do diabetes e acompanhamento oftalmológico, o avanço pode ser reduzido ou até evitado.

 

* Ceratocone: distorção da visão ainda na adolescência

Menos conhecido, o ceratocone também merece atenção, principalmente entre jovens. A doença provoca uma alteração na córnea, que passa a ter formato irregular, distorcendo a visão. A imagem começa a ficar deformada, como se estivesse distorcida. A luz incomoda mais, especialmente à noite, e o paciente perde o foco”, explica Leon.

 

Outro fator de risco importante é o hábito de coçar os olhos. O médico explica que coçar o olho não causa ceratocone. Mas, para quem já tem a doença sem saber, isso piora o quadro, porque o paciente passa a pressionar a estrutura ocular. Hoje, existem tratamentos eficazes, especialmente quando o diagnóstico é precoce.

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Falta de prevenção ainda é um obstáculo

Mesmo com informação disponível, o comportamento da população ainda preocupa. Um estudo publicado na revista científica da plataforma SciELO aponta que 11,4% dos brasileiros nunca foram ao oftalmologista. E que cerca de 35% só procuram atendimento quando já têm dificuldade para enxergar. O problema é que, nesse estágio, muitas doenças já estão avançadas. A recomendação de especialistas é clara: é preciso consultar o oftalmologista pelo menos uma vez por ano, mesmo sem sintomas.

 

Sendo assim, há sintomas que não devem ser ignorados e que nem sempre são óbvios:

  • dificuldade para enxergar à noite
  • sensibilidade à luz
  • perda gradual da visão lateral
  • necessidade frequente de trocar o grau dos óculos
  • visão embaçada ou distorcida

Quanto mais cedo a gente diagnostica, maior a chance de preservar a visão. Seja com cirurgia, colírio ou acompanhamento, o tratamento precoce muda completamente o futuro do paciente”, aconselha o Dr. Leon.


A consulta anual ao oftalmologista é indicada, mesmo para quem não tem nenhum sintoma de
 problemas da visão.  foto- Shutterstock
Giselle Ulbrich - (41) 99153-4590 -  Assessoria de imprensa 

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