12 de Setembo 2026
Raiva na política nos EUA é a mais alta em 150 anos
"Fracassado", "corrupto", "dorminhoco", "de QI baixo", "estúpido", "desonrado", "vergonhoso", "bandido", "animal", "lunático", "psicopata", "perdedor", "perturbado", "doente", "pervertido", "escória", "canalha", "idiota", "imbecil".
Eis uma lista não exaustiva dos termos publicáveis usados pelo presidente dos Estados Unidos Donald Trump recentemente para caracterizar adversários políticos, inimigos geopolíticos ou jornalistas que cruzaram seu caminho. Em que pese a trajetória de outsider do atual mandatário dos EUA e seu estilo sui generis de comunicação, a agressividade no discurso político está longe de ser exclusividade de Trump.
Em mais de 150 anos, nunca houve tanta raiva no discurso político como em 2025 nos EUA. É o que mostra uma análise inédita de todos os discursos feitos no plenário do Congresso norte-americano desde 1874. Mas o levantamento — de autoria de economistas de Harvard, HEC Paris, Paris-Saclay e da Universidade da Califórnia, Berkeley — vai além, e mostra que não apenas os representantes eleitos estão mais raivosos do que nunca: posts de eleitores no X (antigo Twitter) e comentários de usuários no Reddit mostram que a raiva atingiu seu ápice na política na última década.
Dentre os tweets de votantes, a proporção de frases políticas que expressam raiva cresceu 35% entre 2013 e 2025. Nos tweets de membros do Congresso, essa proporção aumentou 72%. Quanto aos discursos em plenário, a raiva subiu 50%, no mesmo período.
O aumento da raiva não vem de usuários novos — as mesmas pessoas ficaram mais bravas, mesmo falando dos mesmos temas. E há um incentivo estrutural: tweets raivosos recebem 63% mais retweets que tweets neutros (59% no caso de congressistas), enquanto emoções positivas são até "punidas" com menos engajamento. A raiva também segue ciclos políticos claros do lado dos políticos: o partido fora da Casa Branca é sistematicamente o mais raivoso, e republicanos usam mais raiva que democratas, sobretudo online.
Quanto às políticas públicas, emoções negativas aumentam o apoio ao protecionismo e a políticas de imigração restritivas. Já emoções positivas reduzem o apoio ao populismo."
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"Em suma, as emoções moldam tanto o engajamento quanto as opiniões sobre políticas", resumiu ao UOL uma das autoras do estudo, a economista Eva Davoine, da UC Berkeley."
- jornalista TIM WATSON / AFP
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